Mostrar mensagens com a etiqueta Crescimento Desenvolvimento e Envelhecimento. Mostrar todas as mensagens
Mostrar mensagens com a etiqueta Crescimento Desenvolvimento e Envelhecimento. Mostrar todas as mensagens
domingo, maio 29, 2011

O Segrego de uma Criança Selavagem

Face à problemática da hereditariedade e do meio, um bom exemplo da interacção de ambas as variáveis no desenvolvimento de uma criança é o documentário O segredo de uma criança selvagem. Este retrata a história de Genie, o pseudônimo de uma criança selvagem que passou quase todos os primeiros treze anos da sua vida trancada num quarto amarrada a uma “cama”. Ela foi vítima de um dos casos mais graves de isolamento social na história americana.
Para veres o documentário basta acederes a este link. Tem atenção que o link é só da primeira parte do filme, sendo que terás de ver os outros no seguimento deste.
Caso não queiras ver mas queiras ter um conhecimento geral desta história, basta fazeres o download do resumo.
Quando a assistente social descobriu Genie, os investigadores descobriram uma rara oportunidade de explorar a capacidade humana para a linguagem. Será que ela aprender a se comunicar numa fase tão tardia e que ela seria capaz de funcionar normalmente? Genie tornou-se a favorita entre os investigadores que foram cativados pela sua inocência e total falta de pretensão.
O estudo de casos como o de Genie pretende dar uma resposta às perguntas: Como é um ser humano criado longe da influência da cultura e da sociedade? É possível que mesmo tendo passado muitos anos como “selvagem” ele/ela se possa tornar “civilizado”?
Cada ser humano tem características próprias, características que os tornam únicos. O comportamento humano depende de múltiplos factores que interagem desde a fecundação até á morte. No entanto, para conseguirmos explicar este facto, temos que ter em conta dois aspectos essenciais: o meio e a hereditariedade.
Assim sendo, ao conjunto de características que uma pessoa recebe por hereditariedade dá-se o nome de genótipo e ao conjunto de características que um indivíduo apresente, resultado da sua hereditariedade e de influência do meio, denominamos fenótipo.
É inegável a influência da hereditariedade nas características físicas de cada indivíduo (a cor dos olhos, do cabelo, da pele, a estatura, o peso, etc.). Já não se poderá estabelecer uma relação tão íntima entre a herança genética e as componentes de índole cognitiva ou características da personalidade.
A hereditariedade desempenha um papel fundamental na constituição dos sistemas nervoso e endócrino, que assumem um papel decisivo no comportamento humano, bem como outras estruturas orgânicas. Então podemos dizer que a hereditariedade é um facto a ter em conta quando se quer explicar o modo de actuar do ser humano.
Um indivíduo é, ao longo da sua vida, muito influenciado pelo meio. Assim, o meio é constituído por elementos que intervêm no comportamento de cada indivíduo. Esta influência do meio faz-se sentir desde o momento da concepção. O meio intra-uterino, as condições psicológicas da mãe, exercem um papel importante no desenvolvimento do feto. São bem conhecidos os efeitos de uma má alimentação, da ingestão de bebidas alcoólicas ou substâncias tóxicas pela mãe.
Após o nascimento, o meio pode favorecer, ou não, as potencialidades hereditariedades recebidas. Assim, um meio equilibrado, saudável e estimulante vai permitir um desenvolvimento das predisposições genéticas no sentido de um desenvolvimento harmonioso.
Tomemos o exemplo de uma planta: se tivermos duas sementes geneticamente idênticas e as regarmos com quantidades de água e adubo diferentes, decerto obteremos duas plantas com desenvolvimentos diferentes; se, entretanto, tivermos duas sementes geneticamente distintas a as tratarmos de igual modo, podem vir a dar plantas com desenvolvimentos distintos. No primeiro caso, as variações devem-se a meio, no segundo, são devidas a factores genéticos. O mesmo acontece com o desenvolvimento humano: depende de factores o meio e da carga hereditária.
Há, no entanto, autores que defendem que o comportamento depende mais de factores hereditários e outros que defendem que depende de factores do meio.
Na minha opinião, desde muito cedo o meio e a hereditariedade interagem, sendo difícil discernir qual o papel de cada um destes factores, sobretudo na definição de uma característica da personalidade, do nível de inteligência, das competências cognitivas de uma pessoa.
Estas duas influências estão interligadas e apesar de achar que são igualmente importantes, pode haver certos casos em que uma delas se destaca mais, mas a outra está sempre presente. Por exemplo, a cor da pele das pessoas nos países africanos é mais escura que no nosso país, isso deve-se à intensidade do sol na África e face a isso a pele foi-se adaptando gradualmente, ou seja, aqui está mais presente uma característica hereditária, porque um indivíduo com pele escura não vai ter um descendente com a pele clara (a não ser que um dos progenitores tenha assim a pele), e não uma característica do meio, pois este vai influenciando gradualmente, não tem uma influência directa.
No documentário podemos ver esta interação bem presente. Por exemplo, a criança tinha dificuldades em andar, mas será que andar é uma característica que só se desenvolve se for estimulada pelo meio? É importante haver estimulação por parte do meio, uma criança que é estimulada no tempo certo desenvolve essa característica de forma mais correcta, isto é, a Genie aprendeu a andar mas sendo ela a estimular-se, após várias tentativas foi conseguindo, mas também podemos ver que tem certas dificuldades, em parte, na minha opinião, deve-se ao isolamento de mais de 10 anos da sociedade, não tendo qualquer estímulo por parte do meio. Outro exemplo é o da linguagem. Nós nascemos pré-dispostos a desenvolver tal característica/capacidade mas se não for devidamente estimulada então a característica não se vai manifestar, no fundo trata-se de uma capacidade adquirida. Genie apenas e mal vocalizava pois era estimulada para que isso assim fosse, se ela fizesse barulho era punida, e quando Susan e os outros especialistas começaram a desenvolver a fala de Genie conclui-se que havia um período crítico para a aprendizagem da primeira língua, na medida em que Genie apenas conseguia dizer palavras soltas e nunca frases gramaticalmente construídas.

O segredo de uma criança selvagem” expõe-nos duas questões fulcrais que nos define enquanto pessoas: O que nos torna humanos? O que realmente nos distingue dos animais?

domingo, maio 29, 2011

Lenha na Fogueira: a Obesidade

Obesidade – Produto da hereditariedade ou do meio?

Texto 1
            Uma equipa europeia de investigadores identificou um gene cujas mutações aumentam o risco de obesidade, segundo um estudo publicado pela revista nature Genetics em 07-07-08. Na base do trabalho, realizado por investigadores franceses e britânicos, está p gene PCSK1, que desempenha um papel essencial na maturação de várias hormonas com papel-chave, ao nível do cérebro, na ingestão de alimentos.
            Anteriormente, tinham sido identificadas mutações do PCSK1 em três pacientes que sofriam de uma forma rara e grave de obesidade, chamada monogénica (causada por um só gene), nos quais se constatou a ausência da enzima. (…) As investigações começaram com 150 famílias francesas com crianças obesas e foram depois alargadas a uma amostra maios de população em França, Dinamarca, Suiça e Alemanha. Os resultados mostram que anomalias aparentemente menores da enzima podem desencadear excesso de peso é geralmente atribuído a alterações do modo de vida relacionadas com a dieta ou a sedentariedade, mas há vários “genes da obesidade” já identificados.

            “Todos reagimos de modo diferente ao meio ambiente, que é cada vez mais semelhante, e a razão pela qual reagimos diferentemente tem em parte causas genéticas múltiplas. Este gene é uma causa entre outras”, explica o investigador.
www.cienciahoje.pt, 2008-07-07

Texto 2

            A obesidade, que é um dos problemas que afectam milhões de seres humanos, será produto da hereditariedade ou do meio? Um estudo recente mostrou que entre os adolescentes, o facto  de comerem pelo menos uma refeição por dia com a família diminuía muito a probabilidade de se tornarem obesos, de sofrerem perturbações no comportamento alimentar ou fazerem regularmente dietas. A refeição em família permite que comam mais lentamente o que é necessário para experimentarem a sensação combateria também os efeitos do stresse o que diminui os riscos de alimentação compulsiva, frequentemente ligados à necessidade de combater a angústia. As emoções positivas ligadas à partilha de um momento de convívio diminuiram também a necessidade que certos adolescentes sentem de regular as suas emoções através da alimentação.

Cerveu et Psycho, n.º 26, p. 11



            Os textos 1 e 2 apresentam dados que reforçam duas teses sobre a origem da obesidade: o primeiro defende que a obesidade é um produto da hereditariedade, enquanto que o segundo expõe uma ideia oposta, isto é, no texto 2 é defendido que a obesidade surge por influência do meio.
            Na minha opinião, ambos os textos têm a sua razão, isto é, a obesidade resulta de diversas interações, nomeadamente, dos aspectos genéticos (hereditariedade), ambientais (meio) e comportamentais. Assim, filhos com ambos os pais obesos apresentam uma probabilidade maior de virem a ser obesos, bem como determinadas mudanças sociais estimulam o aumento de peso em todo um grupo de pessoas.


            Temos dois grandes pesos nesta balança. Por um lado, a hereditariedade: há uma tendência para ser obeso se na família encontram-se pessoas com a mesma doença; e por outro lado, o meio: hoje em dia somos invadidos por enumeros anúncios publicitários que movem enormes quantidades de pessoas, é o caso do MacDonald’s, por exemplo. Este tipo de circustâncias influenciam, e de que maneira, a obesidade, tornando-se muito difícil dizer qual das variáceis é a que mais influencia; a hereditariedade e o meio estão tão interligados que acho que é mesmo uma tarefa impossível.


Qual é a tua opinião? Atreve-te e entra na discussão!

domingo, maio 29, 2011

Controvérsia Hereditariedade vs. Meio

Cada ser humano tem características próprias, características que os tornam únicos. No entanto, para conseguirmos explicar este facto, temos que ter em conta dois aspectos fundamentais: o meio e a hereditariedade.

O que é a hereditariedade?
O património genético do indivíduo define-se na sua singularidade morfológica, fisiologia, sexual (ser homem ou mulher). Na determinação do temperamento estão as variações individuais do organismo, concretamente a constituição física (a cor da pele, dos olhos, do cabelo, etc.) e o funcionamento dos sistemas nervoso e endócrino, que são em grande parte hereditários.


O estudo dos gémeos – um dos métodos usados para analisar o papel da hereditariedade – demonstrou que, na generalidade, é nas características da personalidade que a semelhança é menor, em comparação com as semelhanças físicas e intelectuais.

Nós herdamos um conjunto de genes provenientes dos nossos progenitores. Designamos por genótipo o património hereditário com que fomos dotados. Contudo, as características de um indivíduo não dependem apenas do código genético que recebem aquando da sua concepção – ele sofre a influência do meio ambiente. Designamos por fenótipo todas as características fisiológicas e psicológicas que um indivíduo apresenta. O fenótipo corresponde à “aparência” do indivíduo, ao conjunto de traços que resulta da interacção entre genótipo e o meio.

O que é o meio?
Um indivíduo é, ao longo da sua vida, muito influenciado pelo meio. Assim, o meio é constituído por elementos que intervêm no comportamento de cada indivíduo. De realçar, que esta influência é também notória nos nove meses em que a criança está a desenvolver-se – meio intra-uterino –, uma vez que se a mãe se alimenta mal, ingere álcool, é toxicodependente, etc., estes comportamentos inadequados da mãe podem trazer problemas físicos e mentais no desenvolvimento da criança, provocando nesta uma dependência das mesmas substâncias.

Hereditariedade ou meio?

Há quem defenda que o nosso desenvolvimento é influenciado sobretudo pelo meio, ou principalmente pela hereditariedade. Porém, a hereditariedade não pode exprimir-se sem um meio apropriado, assim como o meio não tem qualquer efeito sem o potencial genético. Por isto, afirma-se que a hereditariedade e o meio interagem, determinando o desenvolvimento orgânico, psicomotor, a linguagem, a inteligência, a afectividade, etc.
De realçar, que vários são os exemplos que comprovam a interacção da hereditariedade e o meio. Um dos exemplos mais significativos é a inteligência – o nível intelectual mede-se através de testes de inteligência, que são apresentados sob a forma de Q.I. O Q.I, grau de inteligência, relaciona-se intimamente com o meio. Por exemplo, quando a criança está inserida num ambiente economicamente menos favorável, este é normalmente menos estimulante intelectualmente, daí que a criança tenha um Q.I mais baixo. Contudo, temos também uma situação inversa, dependendo da personalidade de cada um, visto que a mesma situação de pobreza, pode ser um estímulo para atingir um nível cognitivo mais alto que permita uma ascensão social e económica.
Existem também estudos que relacionam a inteligência com a afectividade familiar. Por exemplo, verificou-se que crianças que foram adoptadas depois de terem vivido em orfanatos manifestaram um aumento no seu Q.I, precisamente provocado pela afectividade e consequente estímulo.
Não podemos, contudo, restringir ao meio a influência no desenvolvimento do Q.I em cada criança. A hereditariedade assume também uma importância crucial. O melhor exemplo é o caso dos gémeos homozigóticos. Existem estudos que comprovam que gémeos verdadeiros separados à nascença e criados em meios sócio-económicos diferentes, têm um Q.I. semelhante, bem como, outras características de hereditariedade genética, como sendo o temperamento, os gestos, predisposições intelectuais…
É um erro, estabelecermos relações de causa-efeito entre o meio e a hereditariedade na influência do Q.I. ou comportamentos. Trata-se sim, de uma correlação, isto é, meio e hereditariedade interagem em conjunto com a personalidade de cada um. Por exemplo, não podemos firmar categoricamente que um indivíduo com um nível sócio-económico baixo tenha um Q.I. baixo, é provável mas não imperativo.
No fundo, meio, hereditariedade e personalidade (experiências pessoais, emoções…) actuam em conjunto na formação da personalidade do indivíduo.

Com tecnologia do Blogger.
You can replace this text by going to "Layout" and then "Page Elements" section. Edit " About "