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segunda-feira, abril 11, 2011

Teoria de Gestalt e as Leis da Percepção


As leis de organização da Gestalt têm guiado os estudos sobre a forma como as pessoas percebem componentes visuais como padrões organizados ou conjuntos, ao invés de suas partes componentes. Gestalt é uma palavra alemã que significa "configuração" ou "padrão". De acordo com essa teoria, há seis factores principais que determinam como nós agrupamos coisas de acordo com a percepção visual.

 

 

Proximidade

Os objectos mais próximos entre si são percebidos como grupos independentes dos mais distantes. Na figura abaixo há quatro grupos, sendo que os três grupos da direita ainda podem ser agrupados entre si, distinguido-se do grupo da esquerda.

 

Fechamento

Os nossos cérebros adicionam componentes que faltam para interpretar uma figura parcial como um todo.





Simetria

Elementos simétricos são mais facilmente agrupados em conjuntos que os não simétricos. Na figura abaixo as duas figuras da esquerda, simétricas são mais facilmente percebidas como um grupo, que o par da direita, em que uma das figuras não é simétrica.





Similaridade ou semelhança

Objectos similares em forma ou tamanho ou cor são mais facilmente interpretados como um grupo. No desenho abaixo, os círculos brancos e pretos parecem agrupar-se, mesmo que a distância entre as filas sejam iguais.





Destino comum

Elementos movendo-se no mesmo sentido são mais facilmente agrupados entre si.

Consulta o link para ver o efeito – clica aqui.

 


Continuidade

Uma vez que um padrão é formado, é mais provável que ele se mantenha, mesmo que seus componentes sejam redistribuídos.
Também já foi demonstrado que certas diferenças individuais, como a acuidade visual ou habilidades espaciais também podem afectar a percepção visual. Há também outros factores que podem influenciar a interpretação das coisas vistas, como a personalidade, estilos cognitivos, sexo, ocupação, idade, valores, atitudes, motivação, crenças, etc.
É o complemento de uma ideia sugerida pelo autor da propaganda despertando em quem vê, o desejo de possuir objecto. É o estímulo que o cérebro recebe para imaginar como o comercial seria completado se bem elaborado cria a necessidade do consumidor.
Os consumidores tendem a perceber os objectos como o todo e o cérebro da continuidade ao que está incompleto. A percepção é a imagem mental que se forma com a ajuda das experiências e das necessidades. E o resultado de um processo de selecção é interpretação das sensações.

Ex: Quando lemos algumas frases, logo completamos com o que vem em seguida:
Água mole em pedra dura........... (tanto bate até que fura)
Quem nasce torto .................... (tarde ou nunca se endireita)
Em casa de ferreiro............................ (espeto de pau)


Outro exemplo: nas imagens percebemos melhor uma boa linha de contorno contínuo

quarta-feira, abril 06, 2011

Kholer e o Gestaltismo (2)

Principais críticas ao gestaltismo

            As críticas por parte dos behavioristas não tardaram: alegavam que os fenómenos perceptivos estudados pela Gestalt, como o Fenómeno de Phi, não tinham carácter científico e que os gestaltistas estavam demasiado ocupados com as suas teorias em detrimento da investigação, da pesquisa e da procura de dados empíricos.
            Em contrapartida, os gestaltistas defendiam que a sua pesquisa tinha um carácter exploratório, orientado por um modelo distinto dos abordados até então. Assim, apesar de estar orientada para a experiência consciente, a Gestalt distinguia-se das abordagens com o mesmo objecto de estudo (a de Wundt e a de Titchener) por defenderem uma perspectiva fenomenológica, isto é, por assumir que a consciência é um objecto de estudo com valor científico mas não um objecto de estudo passível de ser estudado com a objectividade e precisão alcançadas no estudo do comportamento manifesto. Considerava também que o comportamento e a aprendizagem deviam ser abordados na sua relação complexa com a percepção, celebrizando a premissa “o todo não é igual à soma das partes”.

quarta-feira, abril 06, 2011

Kholer e o Gestaltismo

            A psicologia de gestalt (o termo gestalt remete para forma ou entidade organizada, referindo-se a um objecto específico e à organização que lhe corresponde) surgiu no contexto cultural alemão, entre as duas Guerras Mundias, e atacou as psicologias dominantes (funcionalismo e estruturalismo), tal como fizera o behaviorismo.
            Mas as diferenças entre esta nova psicologia e o behaviorismo logo se vieram a demonstrar, pois os psicólogos da gestal reconheciam o valor da consciência para a sua psicologia (embora criticassem severamente a sua redução a elementos constituintes), ao contrário dos behavioristas.


Fig.1 - Max Wertheimer
(1880-1943)
            Esta nova escola desenvolveu-se a partir do Fenómeno de Phi, isto é, da ilusão de movimento produzido por dois feixes de luz. Esta ilusão foi atentamente estudada por Max Wertheimer, um dos líderes desta escola de pensamento. Apesar de se tratar de um fenómeno tratado até então como sendo do senso comum, as reflexões de Wertheimer transformaram-no numa das críticas mais persistentes à proposta teórica de Wundt.
            Experimenta: Podes, no entanto, pôr facilmente em prática o Fenómeno de Phi. Primeiro, coloca um dedo à frente do nariz (suficientemente perto para que consigas ver duas imagens) e, seguidamente, abre e fecha cada olho alternadamente. O dedo aparentemente saltará de um lado para o outro.


            A reflexão deste investigador centrou-se na explicação da percepção de movimento aparente reduzindo-a a elementos sensoriais simples. Para Wundt, dois feixes de luz seriam sempre dois feixes e nada mais. Então, o trabalho de Wertheimer foi encontrar uma explicação para o aparente movimento. Era necessária a existência de mais do que a soma das partes para justificar a percepção de movimento sem que haja uma deslocação real correspondente e a psicologia elementar e associacionista não bastava para dar conta desses fenómenos.
            Para os gestaltistas, os elementos sensoriais combinavam-se para formar uma estrutura ou forma (Gestalt).




Fig. 2 - Wolfgang Kholer
(1887-1967)
            Contudo, a influência do gestaltismo ultrapassou o domínio da percepção, dando uma contribuição igualmente importante para a investigação da resolução de problemas. Neste contexto, surge Wolfgang Kholer com estudos sobre a inteligência dos chimpanzés ao nível da resolução de problemas.
            Kholer apresentou-nos estudos com um nível de procedimento simples com poucos recursos/utensílios, e procurou sustentar a resolução de problemas na sua relação com a reestruturação do campo perceptivo.
           

As investigações incluiam duas situações experimentais:
·         Uma mais simples, o chimpanzé está dentro de uma jaula, existindo uma vara próxima das grades da jaula e de uma banana pendurada fora da jaula, longe do alcance imediato do chimpanzé;
·         Uma de maior dificuldade, o que diferia da primeira situação era a localização da vara, foi colocada distante das grades, no interior da jaula.


 
O comportamento do chimpanzé ao nível da resolução de problemas mostrava-se distinto nas duas situações. Quando se colocou a vara junto das grades da jaula, mais próxima da fruta, os dois elementos foram percebidos como partes integrantes da mesma situação-problema. Foi fácil para o chimpanzé utilizar a vara para puxar a fruta para próximo de si. Na segunda situação, contido, a distância que existia entre os dois elementos do problema, a banana fora da jaula e a vara colocada no interior da jaula, implicou uma reestruturação do campo perceptivo, isto é, a compreensão dos dois elementos como parte do mesmo problema.
            Para que ocorresse esta reestruturação, seria necessário o insight ou compreensão súbita – a compreensão ou solução imediata do problema – uma forma de aprendizagem resultante de várias tentativas que fornecem a assimilação das relações entre elementos.


Fig. 3 - Insight


            Podemos considerar que as principais diferenças entre a psicologia de gestal e as outras escolas de pensamento anteriores estão presentes no seu posicionamento face a duas dicotomias: interno/externo ou inato/adquirido, por um lado, e parte/todo, por outro.








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