Esta página está a ser elaborada por Joana Sousa, no âmbito da unidade curricular Psicologia do Desenvolvimento, inserida no plano de estudos do 1º ano da Licenciatura em Ciências do Desporto, na Faculdade de Desporto da Universidade do Porto.
Como em todas as correntes de pensamento inovadoras, também o behaviorismo de Watson foi confrontado com várias críticas direccionadas, fundamentalmente, para a ideia de comportamento determinado.
Segundo Watson, tudo o que o indivíduo realiza é resultado directo da experiência passada e pode ser previsto assim que se conhece a experiência passada. Para os seus críticos, contudo, o ser humano possuía liberdade de ecolha e não era um ser passivo que o behaviorismo descrevia.
Em que medida a Escola Behaviorista corta com o pensamento das Escolas anteriores?
“A psicologia, na visão behaviorista, é um ramo experimental puramente objectivo da ciência natural. O seu objectivo teórico é a previsão e o controlo do comportamento. A introspecção não faz parte essencial dos seus métodos, nem do valor cinetífico dos seus dados depende da prontidão com que se prestam à interpretação em função da consciência. O behaviorista, num esforço para obter um projecto unitário de resposta animal, reconhece não haver linha divisória entre o homem e o animal. O comportamento do homem, com todo o seu refinamento e a sua complexidade, forma apenas uma parte do projecto total de investigação do behaviorista (…)”
SCHULTZ, D. & SCHULTZ, S. (2005), História da Psicologia Moderna
O behaviorismo apresenta-nos como distinto das outras correntes de pensamento anteriores; é distinto do estruturalismo (que pretende reduzir a consciência aos seus elementos mais simples pela utilização do método introspectivo) e é também distinto do funcionalismo (que pretende aceder aos processos e funções conscientes adaptativas fazendo uso de um método eclético).
Esta teoria enquadra-se no contexto mecanicista, defenindo-se a so mesmo como “um ramo experimental puramente objectivo da ciência natural” e no contexto da psicologia animal.
O objecto desta Escola é assumido como inovador, direccionando-se para o comportamento e não para a consciência. E apresenta como objectivo a previsão e o contolo do comportamento.
Neste momento, podemos perceber a existência de duas posições opostas na abordagem ao ser humano:
·Associacionismo + Estruturalismo à Enfatizam a dimensão interna
·Behaviorismo à Enfatiza a dimensão externa
A mudança radical no objecto e objectivo da psicologia estendeu-se ao método e, como tal, o método introspectivo não servia para estudar o comportamento. O fundador do behaviorismo defendia que apenas os métodos objectivos de investigação deviam ser considerados, nomeadamente, a observação experimental, o teste e o método do reflexo condicionado.
Tal como se sucedera na psicologia estruturalista, também no behaviorismo havia interesse na determinação da estrutura. No entanto, agora o objecto seria o comportamento e não a consciência, e o objectivo seria o estabelecimento dos elementos constituintes do comportamento e não da consciência. Esses elementos foram definidos pelos behavioristas enquanto movimentos musculares e secreções glandulares.
Segundo Watson, os behavioristas ampliavam as suas metas além da simples redução do comportamento em unidades estímulo-resposta e procuravam compreender o comportamento na sua totalidade. Assim sendo, a resposta comportamental poderia ser:
·Explícita, caso ocorra externamente (por exemplo, movimento musculares), dando lugar a uma resposta directamente observável;
·Implícita, caso ocorra internamente (por exemplo, impulsos nervosos), dando lugar a uma resposta acessível apenas através de instrumentos específicos.
De forma semelhante, o estímulo poderia ter dois tipos de classificação: simples ou complexo, consoante a situação de estimulação fosse reduzida a um ou a mais estímulos, respectivamente.
Toma Nota:
Depois das críticas ao behaviorismo surgiram ainda o neo-behaviorismo e o sócio-behaviorismo.
John Watson considerava cientificamente inútil a noção de consciência e, consequentemente, criticava a utilização do método introspectivo.
Na formação da sua proposta, Watson reuniu a tradição objectivista e mecanicista, os contributos da psicologia funcional e os da psicologia animal. A consideração da psicologia animal como elemento fundamental para a compreensão da psicologia humana implicava o reconhecimento de uma continuidade entre a mente animal e a mente humana, e foi dos elementos mais inovadores da proposta de Watson.
Psicologia animal, aprendizagem por condicionamento e behaviorismo
Watson foi influenciado pela teoria do condicionamento clássico de Ivan Pavlov.
Esta teoria tem por base o reflexo condicionado (aprendido). Das experiências que Pavlov realizou é possível identificar os principais elementos implicados no condicionamento clássico:
·O alimento é o estímulo incondicionado (EI), um estímulo biologicamente significativo para o sujeito e que, por si só, desencadeia uma resposta automática, sem necessidade de condicionamento (daí o nome “incondicionado”);
·A salivação produzida pelo alimento é a resposta incondicionada (RI), assim chamada por se desencadear directamente em função do EI, sem necessidade de aprendizagem prévia;
·O som do metrónomo ou da campainha designa-se – antes do condicionamento – estímulo neutro (EN), e – após o condicionamento – por estímulo condicionado (EC);
·A salivação em função do som da campainha denomina-se resposta condicionada (RC), isto é, aprendida, adquirida. O adjectivo “condicionado” indica que o EC provoca RC, única e exclusivamente após o organismo ter passado por um processo de treino ou de aprendizagem.
No vídeo podemos ver a experiência de Pavlov com o seu cão explicada. É interessante ver como funcionava a mente destes investigadores, a maneira como eles pensam em certos pormenores fazem a total diferença nos avanços da ciência!
O condicionamento e mesmo o descondicionamento são formas de aprendizagem que não são exclusivas dos animais.
Os estudos realizados por John Watson e Rosalie Rayner, relativos ao condicionamento do medo no pequeno Albert, revelam que o medo pode ser aprendido por associação entre estímulos, isto é, por condicionamento. Indicam também que os comportamentos adquiridos podem ser removidos ou extintos por dessensibilização sistemática.
“Dêem-me uma dúzia de crianças saudáveis, bem constituídas, e a espécie de mundo que me é necessário para as educar, e eu comprometo-me, tornando-as ao acaso, a formá-las de tal maneira que se tornem um especialista da minha escola, médico, comerciante, advogado e, sim, até um pedinte ou ladrão, independentemente dos seus talentos, inclinações, tendências, aptidões, assim como da profissão e da raça dos seus antepassados."
Esta é uma frase muito famosa e polémica de John Watson. Por curiosidade ao que ele disse, Watson e Rosalie Rayner casaram em 1920 e juntos publicaram uma obra de referência, na qual recomendam um tipo de educação espartana para as crianças: nada de beijos, de carícias ou de afectos. Em coerência com o que propunham, os dois investigadores aplicaram este tipo de educação aos seus próprios filhos: um deles recorreu a terapia psicológica, o outro suicidou-se.
Afinal algo neste pensamento não estava muito correcto, na medida em que a “história” dos seus filhos não acabou da melhor forma… E na minha opinião, torna-se importante, e as mentalidades actalmente já estão mais inclinadas para isso, que haja o apoio dos pais na educação integral dos filhos não dispensando o carinho, afectos, etc.
Apesar das grandes descobertas associadas ao condicionamento clássico, é importante ter em consideração que se trata de um processo relativamente passivo, no qual o sujeito associa, inconscientemente, eventos que acontecem em seu redor.